10.000 Soldados na Tela em 2004: Como Rome: Total War Criou uma Tecnologia Tão Realista que Foi Usada na TV

Antes de existir computação gráfica acessível para a televisão, a BBC e o History Channel recorreram a um videogame comercial britânico para recriar as maiores guerras da antiguidade.

Em 2004, a indústria de jogos para PC assistiu a um dos saltos tecnológicos mais impressionantes de todos os tempos. Enquanto a maioria dos jogos de estratégia da época operava com sprites bidimensionais ou esquadrões tridimensionais limitados a algumas dezenas de polígonos, o estúdio britânico Creative Assembly lançou Rome: Total War.

O que parecia um milagre de otimização era realidade: o motor gráfico recém-desenvolvido era capaz de renderizar e animar mais de dez mil soldados individuais simultaneamente, em um terreno tridimensional ondulado, com vegetação, moral de tropa em tempo real, fadiga física e balística balizada por gravidade real.

O Telefone Tocou da BBC

A precisão militar e a escala visual de Rome: Total War eram tão superiores aos softwares de simulação militar e acadêmica existentes na época que as maiores redes de televisão da Europa e dos Estados Unidos perceberam uma oportunidade de ouro.

A emissora britânica BBC licenciou oficialmente a engine do jogo para produzir o programa de televisão Time Commanders. No formato, equipes formadas por generais aposentados, executivos e entusiastas de história eram colocadas em uma sala de comando diante de telões. Eles davam ordens a assistentes no teclado para comandar as legiões de Rome: Total War, tentando recriar — ou reverter — o resultado de batalhas históricas lendárias como a Batalha de Canas, a Batalha de Termópilas e a queda da Gália.

Pouco tempo depois, o canal History Channel seguiu o mesmo caminho nos Estados Unidos com a aclamada série documental Decisive Battles, apresentada pelo historiador Matthew Settle, onde todas as manobras tácticas de Alexandre, o Grande e Júlio César eram ilustradas diretamente na tela do videogame da Creative Assembly.

O Legado Tático e o Mito da Falange

Além do impacto midiático estrondoso, Rome: Total War cunhou algumas das memórias mais divertidas da história dos PCs. Quem jogou o clássico jamais esquece o poder descomunal das Falanges Hoplitas e Macedônicas.

Com lanças sarissas de quase seis metros de comprimento, bastava posicionar duas unidades de piqueiros travando o cruzamento de uma ruela estreita durante o cerco de uma cidade para aniquilar legiões inteiras de três mil romanos sem sofrer praticamente nenhuma baixa. Um triunfo do design histórico e da física que garantiu à franquia Total War o posto de rainha soberana da tática militar nos videogames.

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